A criação da foto Polaroid

Em 1943, Edwin Robert Land, ex-aluno da Universidade de Harvard, tinha uma empresa de plásticos polarizados, usados para fabricação de óculos aviadores, aplicações científicas, etc. Um dia, sua filha de três anos perguntou ao pai por que ela não poderia ver as fotografias na hora, assim que fossem tiradas. Essa pergunta ficou presente na cabeça de Land. 

Então, ele compactou todos os estágios de sensibilização do filme e de revelação em camadas sobrepostas de químicos que registravam, revelavam e fixavam a imagem final. Tudo isso em um envelope fino, que dava a impressão de ser uma chapa fotográfica flexível e única. O processo acontecia no momento em que o envelope fosse removido da câmera.
Em 1947, foi apresentado o primeiro modelo da Polaroid, o Land Model 95. Lançada comercialmente em 1948, a câmera respondia à pergunta da filha e inaugurou um capítulo na história da fotografia: a imagem instantânea.

Com a fotografia contemporânea, temos quase a obrigação de fazê-la circular praticamente no mesmo momento em que é produzida. Isso aponta para um sintoma mais amplo, na nossa relação com as imagens e a forma de vivenciar a assimilação do tempo que a fotografia permite. A Polaroid, certamente, não inventou a fotografia contemporânea. Mas o que permite que justamente isso seja o modo atual de experienciar a fotografia foi, sim, uma abertura de cenário acontecida há mais de 70 anos.

Entre as décadas de 1950 a 1970, a Polaroid foi considerada a mais inovadora empresa de tecnologia do mundo, só possuindo menos patentes que Thomas Edison.
Hoje, a fotografia instantânea do tipo Polaroid foi ultrapassada pela disponibilidade de bilhões de dispositivos de fazer imagens como celulares, computadores e até câmeras fotográficas. Nada pode ser mais instantâneo no mundo atual que o estilo de vida digital, atravessado totalmente pela lógica do aqui e agora. Talvez essa aceleração seja tal, que podemos perceber que a própria ideia de instante foi sendo encolhida, compactada, para uma fração de segundo que se ajusta a um tempo automatizado, que não dá brecha para pegar ar e contemplar, assim temos, ironicamente, mais tempo para fotografar do que para ver as imagens.
Mas as questões da fotografia não dizem respeito somente ao fotográfico. É sempre uma questão de como as práticas se tornam também fenômenos culturais. E a cultura assimila e reflete como nós somos atravessados pelo tempo. Tirando fotografias, construindo representações, memórias e sentidos, apropriamo-nos do mundo à nossa volta. A fotografia tem a capacidade de trazer, coladas a cada imagem, as condições que as tornaram possíveis.

Nesse sentido, olhar para a história da Polaroid como uma experiência ultra-analógica de imagem instantânea não pode ser feito como sendo algo anacrônico ou mesmo atrasado para os nossos dias. É exatamente o contrário: é perceber, ainda nos anos 1940, os primeiros vestígios da aceleração da experiência do tempo que agora presenciamos.

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